É o planejamento estratégico quem norteia as atividades e os investimentos dos gestores privados, bem como é através dele que os sócios e acionistas da organização empresarial definem os pontos onde querem alcançar. Por via de consequência, a inexistência de um planejamento estratégico formal e bem estabelecido possibilita que os executivos e empresários tomem iniciativas muitas vezes equivocadas, que podem conduzi-los a bancarrota.
Nesse contexto, importa registrar que as organizações governamentais não são empresas, haja vista que enquanto aquelas são pessoas jurídicas de direito público, estas são de direito privado. Entrementes, tanto uma quanto outra, são instituições, as quais necessitam atender demandas específicas e produzirem bens e/ou serviços, já que, enquanto, os Estados trabalham para atender os indivíduos de uma dada comunidade, as empresas produzem majoritariamente bens e serviços privados, buscando sempre atender uma demanda de consumidores – que podem, eventualmente, serem públicos.
Seguindo a linha de raciocínio, enfatizamos que, assim como as empresas carecem de um planejamento estratégico, as organizações governamentais e os próprios Estados precisam muito mais. Assim como no setor privado, é somente através do planejamento que a entidade estatal define suas metas e ações para que possa, dentro do orçamento público, prover, efetivamente, os indivíduos e a sociedade de bens e serviços de qualidade.
Ao estabelecerem metas e ações – possíveis e concretas orçamentariamente – , os gestores dos entes governamentais demonstram aos cidadãos os planos efetivos de governabilidade. Esses cidadãos, após comprovarem o cumprimento daquele planejamento, poderão decidir pela recondução do gestor público, – ou não -, ao cargo numa próxima eleição. Embora, seja particularmente pesaroso salientar que em razão da frágil memória do cidadão – principalmente o brasileiro -, certos gestores públicos são eleitos – e reeleitos – sem sequer elaborarem um planejamento estratégico de governo, e mesmo que tenham elaborado, não cumpriram o estabelecido e delineado naquele plano durante a sua gestão.
Diante disso, a guisa de arremate, afirmamos, sem medo de errar, que a impressão que temos é que, salvo raras exceções, os gestores públicos brasileiros não elaboram seus planos ou planejamentos estratégicos de governo, e quando o fazem, não cumprem, permanecendo sempre na improvisação e – porque não dizer – enganação dos cidadãos que os conduzem aos cargos. A título de corolário, citamos a construção apressada de certas obras públicas; a redução de impostos apenas para um determinado setor industrial; a criação de regras perenes através de leis provisórias, as chamadas medidas provisórias; e em momentos de tragédias e crises econômicas procuram agir sempre às vésperas, sem qualquer planejamento anterior. E é público, e notório, que o ato de improvisar não combina com o ato de planejar. Estados eficientes planejam, pois através dele, a sociedade adquire condições de reconhecer a importância da máquina estatal.
Por fim, é particularmente triste concordar com o Deputado Romário – o ex jogador – quando afirma que nunca se viu no Brasil tanta roubalheira como a que se verá com as obras para a copa do mundo, em virtude da falta de planejamento que acarretará na realização das obras sem licitação e superfaturadas. É uma pena!
Transformando
Sonhos em Realidade
Na primeira parte da minha autobiografia, conto minha trajetória, desde a infância pobre por diversos lugares do Brasil, até a fundação do grupo Ser Educacional e sua entrada na Bolsa de Valores, o maior IPO da educação brasileira. Diversos sonhos que foram transformados em realidade.