Racismo e violência no futebol

Racismo e violência no futebol

Por: Janguiê Diniz
22 de Mai de 2023

Dentro de campo, deveria ser um espetáculo esportivo. Nas arquibancadas, o que se viu foi um show de horrores. No Campeonato Espanhol, partida entre Real Madrid e Valencia foi interrompida após mais um caso de racismo contra o jogador brasileiro Vinicius Junior. Não é a primeira vez e, provavelmente, não será a última. A pergunta clichê que fica é: até quando? Autoridades e dirigentes não têm tomado medidas duras contra a violência, muitas vezes até minimizando-a. Irresponsável, para dizer o mínimo.

Por mais de uma vez durante o jogo, Vini Jr foi atacado com xingamentos racistas, chamado de “macaco” por parte da torcida do Valencia. Revoltou-se, denunciou, chorou, e acabou expulso. Uma série de erros e absurdos. O atleta vem sofrendo ataques constantemente, independentemente de seu desempenho nas partidas. O caso joga luz sobre o racismo no esporte e sobre a própria realidade nociva do futebol, cercado de preconceitos e violências que são minimizadas ou ignoradas por quem deveria promover um ambiente saudável e acolhedor não só para jogadores, mas também para torcedores.

A violência das torcidas faz lembrar os hooligans da Inglaterra, “torcedores” (não que tal título lhes coubesse) que utilizavam da fúria para se firmar como grupos de poder e que, muitas vezes, estavam mais interessados em se vangloriar do que apoiar as equipes a que eram associados. A atuação violenta dos hooligans resultou em episódios como a tragédia de Heysel, na Bélgica, em 1985, em partida entre Liverpool e Juventus. Como resultado, 39 pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas após vândalos ingleses acessarem a parte da arquibancada reservada aos italianos. Esse e outros casos geraram severas punições aos times e o banimento dos hooligans identificados dos estádios. Apenas com uma dura repressão a atividade violenta foi superada. Parece que, hoje, vivemos uma nova onda de hooliganismo, seja pelas brigas entre torcidas, seja pelos xingamentos e ameaças a jogadores.

No caso de racismo contra Vinicius Junior, uma grande omissão pode ser notada: a Liga Espanhola insiste em não aplicar punições mais duras aos times cujas torcidas agem de forma criminosa. Ter o pulso firme, nesses casos, é necessário para que a situação não saia de controle e situações ainda piores aconteçam. Hoje, são xingamentos; amanhã, não se sabe o que pode se passar, se não houver uma ação concreta.

Parece surreal que, em pleno século 21, ainda lidemos com questões que á deveriam estar no passado. Racismo e violência não são demonstrações de apoio a um time: são crimes. É irracional pensar que podem fazer parte da realidade de qualquer esporte. O futebol é muito melhor do que isso.

Transformando

Sonhos em Realidade

Na primeira parte da minha autobiografia, conto minha trajetória, desde a infância pobre por diversos lugares do Brasil, até a fundação do grupo Ser Educacional e sua entrada na Bolsa de Valores, o maior IPO da educação brasileira. Diversos sonhos que foram transformados em realidade.

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